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25 agosto, 2026

Guiar com álcool é very portuguese

O volante em Portugal

Hoje acordámos com a notícia trágica de 12 pessoas atropeladas em Albufeira numa rua interdita a carros, entre os feridos, um deles em estado grave, estão dois militares da Guarda Nacional Republicana (GNR). Noutras latitudes o primeiro pensamento teria sido acreditar que se tratava de um atentado terrorista, em Portugal o primeiro pensamento continua a ser a confusão.


Sabe-se agora que ao volante estava um homem de 35 anos, que “foi detido e apresentava uma taxa de 1,29 gramas de álcool por litro no sangue”, disse à Lusa Carlos Canatário, porta-voz da GNR, acrescentando que foram também realizados exames toxicológicos.


Infelizmente, esta ainda é uma história comum em Portugal e todos nos lembramos de alguém que estava “bem para guiar”, mas na realidade nunca o devia ter feito. De outros que tiveram a sorte de bater em muros e não em pessoas e da luta para tirar chaves ou aceitar boleias no fim de noites mais regadas. E, pior, há os casos das noites nos hospitais, das vidas destruídas e das outras perdidas por se insistir em guiar com álcool.

Portugal tem um problema com o consumo de álcool desde tenra idade, e junta-lhe o problema da condução sob o efeito álcool e outras substâncias toxicas.


Uma semana em agosto. Coincidentemente, hoje soube-se que entre 18 e 24 de agosto, se registaram 2.976 acidentes em Portugal. Destes, 2.693 aconteceram em território continental e provocaram 10 mortos, 58 feridos graves e 905 feridos ligeiros. Os restantes 183 acidentes ocorreram nos Açores e na Madeira e resultaram em dois feridos graves e 43 ligeiros. Foram ainda feitos 37.196 testes de álcool, dos quais 788 deram um resultado positivo, o que corresponde a uma taxa de infração de 2,1%.


Europa reduz acidentes rodoviários em 2025, mas Portugal continua no top cinco da mortalidade. No início de julho escrevíamos aqui sobre o facto de a sinistralidade rodoviária na União Europeia ter diminuido em 2025, com cerca de 19 400 mortes, mas ainda assim a Comissão Europeia considerar que o ritmo de redução é insuficiente para cumprir a meta de reduzir para metade as mortes nas estradas até 2030 e aproximar-se das zero mortes em 2050.


Referimos no artigo que embora Portugal também apresentasse uma tendência de melhoria, fazia-o a um ritmo inferior à média europeia. Apesar de ter reduzido a mortalidade rodoviária em mais de 80% nas últimas três décadas, o país enfrenta atualmente uma fase de relativa estagnação.


Quais os problemas ao volante em Portugal? Os principais fatores de risco continuam a ser o excesso de velocidade, o álcool e a distração ao volante. A situação agravou-se no início de 2026: entre 1 de janeiro e 18 de junho, registaram-se 70 117 acidentes, 227 mortos, 1 191 feridos graves e 19 128 feridos ligeiros. Comparando com o mesmo período de 2025, houve cerca de mais 25% de mortes.


O que fazer? A Comissão Europeia defende que é necessário reforçar a fiscalização, a prevenção, a educação rodoviária e a segurança das infraestruturas, sobretudo nas estradas urbanas, rurais e interurbanas, onde ocorre atualmente grande parte das mortes. A proteção de peões, ciclistas e motociclistas é também uma prioridade. Em Portugal, o Governo prepara uma nova estratégia nacional para reduzir em 50% o número de mortos e feridos graves até 2030, do que já foi adiantado pelo MAI vai apostar numa abordagem integrada que combina fiscalização, prevenção e mudança de comportamentos.


O exemplo britânico. Ao longo do último século, o Reino Unido conseguiu reduzir drasticamente a sinistralidade rodoviária, apesar do grande aumento do número de veículos e de quilómetros percorridos. Atualmente, morrem cerca de 1 700 pessoas por ano, contra 5 000 a 7 000 mortes anuais nas décadas de 1920 e 1930. A taxa de mortes por quilómetro diminuiu 22 vezes desde 1950. Esta melhoria resultou de várias medidas de segurança rodoviária, como a construção de autoestradas, a criação de rotundas, o combate à condução sob o efeito do álcool, a utilização obrigatória de capacetes e cintos de segurança e o desenvolvimento de automóveis mais seguros. As autoestradas são, por quilómetro percorrido, muito mais seguras do que as estradas urbanas e rurais.


O combate à condução sob o efeito do álcool também teve um impacto significativo no Reino Unido. A introdução de limites legais, testes de alcoolemia, fiscalização e campanhas de sensibilização contribuiu para uma redução de 82% das mortes relacionadas com álcool desde 1967. No que ao álcool diz respeito, importa lembrar que o Reino Unido lidera a tabela do relatório da Global Drugs Survey (GDS) com maior taxa de população alcoolizada do mundo, cada britânico "embebeda-se fortemente" em média 33 vezes por ano.


Ali, a segurança dos veículos também melhorou com a obrigatoriedade dos capacetes para motociclistas, cintos de segurança e sistemas de proteção, como airbags e zonas de deformação. Estas medidas contribuíram para uma forte redução das mortes entre condutores e passageiros. Por outro lado, a redução dos limites de velocidade, especialmente junto às escolas e em zonas urbanas, ajudou a proteger peões e crianças. Desde 1980, o número de crianças mortas nas estradas britânicas diminuiu mais de 90%.

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