De Guimarรฃes partiu um sonho inteiro
Afonso ergueu-se, firme e primeiro
Do ferro fez pรกtria, do povo, celeiro
Do medo fez fรฉ, do chรฃo, candeeiro
No grito nascido de um povo trabalhador
Portugal nasceu e construiu-se de amor
Amor รฉ fogo que arde e nรฃo se sente
ร forรงa que une o pobre e o valente
Ecos de Aljubarrota que D. Nuno fez semente
Nos olhos do povo hรก um brilho quente
Portugal รฉ amor, puro e presente
ร laรงo que abraรงa a gente inteira e ardente
Em 1640, ergueu-se a Restauraรงรฃo
Liberdade viva, sangue e coraรงรฃo
Mesmo em Espanha vive o povo irmรฃo
Portugal nรฃo รณdio, รฉ luz e uniรฃo
Na forรงa da histรณria, na coragem e na mรฃo
Renova-se sempre a nossa naรงรฃo
Como Pedro e Inรชs, que o destino venceu
Ou Eรงa, que em letras o amor escreveu
Portugal รฉ paixรฃo que nunca se perdeu
ร lรกgrima e riso, o fado que ardeu
Ama na vida, na dor e no breu
Ama no povo que nunca se esqueceu
Dos dias herรณicos de Cunhal, fiel e real
Que disse ao รณdio: "olhe que nรฃo, olhe que nรฃo"
De Aristides, justiรงa em tempo infernal
De Cabral, que no mar viu o sinal
Portugal รฉ coragem, ternura e ideal
ร quem vence a raiva com gesto fraternal
Povo amigo que lutou por Timor
Solidรกrio na dor, na alegria e no ardor
Genuรญno e forte, com crenรงa e valor
Que espera por D. Sebastiรฃo sonhador
Mas canta o presente com fรฉ e calor
Naรงรฃo valente, serรกs sempre amor
Nuno Cavaco, 11 de outubro de 2025
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