Frente aos Nossos Olhos... - Café da Praça Central

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05 abril, 2022

Frente aos Nossos Olhos...


... o que não queríamos ver, o que não podia acontecer... a enorme tragédia humana.
Nós, por enquanto, testemunhas do que há de mais primitivo no ser humano,  que  vivendo dentro dele, desperta em qualquer instante.
O que já vimos , tantas ruínas outrora edificadas,  vidas um dia organizadas para a paz e o bem estar, agora no silêncio aterrador do sofrimento e da morte.
Mães abraçadas aos filhos, correm para longe do teatro deste absurdo, velhos arrastam-se trôpegos, revivendo outras guerras, outros tempos que pensavam já enterrados.
Homens de olhar convicto na defesa da terra onde nasceram e pela qual estão dispostos a morrer.
E nós, sentados a ver tudo isto, através da capacidade descritiva das imagens e das palavras de jornalistas  que cumprem a perigosa missão de informar. Alguns pagando com a vida a profissão que escolheram.
A nossa vida está em guerra.
Tudo começa com as palavras, o ódio que se disfarça em palavras, a conspiração que se sussurra em palavras, os interesses de minorias que se contabilizam em números e palavras e finalmente a voz das armas para o sofrimento da maioria que balbucia palavras de espanto, e chora.
Frente aos nossos olhos, imagens da guerra contada  por esses corajosos jornalistas, cujas palavras não têm a dimensão total dos acontecimentos, porque   limitadas pelo cheiro da guerra.
A guerra cheira a sangue, suor e lágrimas.
A minha sentida homenagem a todos os jornalistas das nossas televisões, rádios e jornais, que nos habituámos a ver em cenários de conforto e que nos trazem com sacrifícios físicos e psíquicos, notícias da frente.
São meus companheiros neste ofício de comunicar e para  todos, sem excepção, vai o meu mais profundo respeito.
Sinto que quando isto acabar, se acabar, ainda com o fumo da destruição a dissipar-se, todos esses meus companheiros, ficarão marcados por aquilo que os seus olhos viram e os corações sentiram. Não voltarão a ser os mesmos, mas creio que serão ainda melhores. Grato a todos, todos mesmo, os que trabalham no terreno e  aos outros que em estúdio, nos ligam ao mundo das notícias.
Se não acabarmos com esta guerra, a guerra acabará connosco.

Júlio Isidro | Facebook