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15 setembro, 2026

Estrelas portuguesas no OnlyFans: a vida, o trabalho, os luxos e as dificuldades



Sónia Sapage

Directora-Adjunta

Caro leitor, 

Vou assumir que não sabe o que é o OnlyFans e começar pelo princípio: o OnlyFans é uma plataforma de conteúdos sexuais, mais ou menos explícitos, na qual o utilizador paga uma mensalidade e recebe mensagens, imagens ou vídeos de jovens escolhidas por si a partir de uma espécie de catálogo personalizado nas redes sociais. 

Nos anos da pandemia, tornou-se um espaço digital de venda de conteúdo pornográfico. "No OnlyFans, o trabalho sexual é feito a partir de casa — não há sequer contacto físico com os clientes", lê-se na reportagem que hoje lhe recomendo. O trabalho, assinado por Marta Ribeiro (texto) e por Lara Castro (vídeo) — com os contributos de José Carvalheiro (motion design) e Nuno Moura (web design) — entra neste submundo pela mão de quatro jovens portuguesas: a Jade Canhão, a Milena Refacho, a Alva Ferrari e a Jéssica Ferreira. 

Feita a introdução, passemos ao miolo. O trabalho da Marta e da Lara consiste em duas reportagens que tentam responder às dúvidas mais banais: quanto se ganha no OnlyFans? Porque é que mulheres jovens, de vinte e poucos anos, algumas com cursos universitários, estão a escolher esta profissão em vez de um emprego «normal»? Como é a vida delas? Que dificuldades têm pelo caminho? Vivem mesmo vidas de luxo? E porque é que, em muitos casos, são homens da manosfera portuguesa a tentar gerir os negócios delas? 

Partilhamos consigo o que descobrimos ao longo dos meses que dedicámos ao tema:

 

  • Há jovens que recusam chamar-lhe de “trabalho sexual” e preferem “criação de conteúdo” — mas passam noites em claro a responder a subscritores e chegam a faltar às aulas para não perder “fãs”; 
  • Certas agências portuguesas — geridas por homens, mas não só — ficam com metade do que as criadoras ganham, em troca de gerir fotos, vídeos e conversas com clientes;
  •  Uma investigadora britânica que estuda o fenómeno fala em «chulos digitais» que replicam, online, um papel historicamente ligado à exploração da prostituição (mas não há enquadramento legal para o crime de lenocínio); 
  • Nem todas as histórias correm bem: encontrámos relatos de contratos sem validade legal, perda de acesso a contas e pressão para fazer conteúdo cada vez mais explícito; 
  • De acordo com o OnlyGuider, um site que acompanha a utilização da plataforma em todo o mundo, os portugueses gastaram 22,7 milhões de euros em 2025 no OnlyFans; 
  • Apesar da ideia de “dinheiro fácil”, os números da própria plataforma mostram que a esmagadora maioria ganha muito pouco (a média é de 89 euros mensais) e só uma minoria pode, realmente, fazer a vida de luxo que apresenta. 

 

Não me alongo mais para não dar spoiler

As reportagens são exclusivas para assinantes. mas caso não o seja ou não queira assumir um compromisso anual connosco, tem a possibilidade de comprar apenas um acesso diário (1,60 euros) ou trimestral (23 euros)

 

Vale a pena ler estes dois trabalhos (aqui e aqui).






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