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08 setembro, 2026

E tragam uma enxada...a Reconquista não se vai fazer sozinha

Tenho de reconhecer que, desta vez, estou com eles.
Se há coisa que me irrita é uma pessoa não saber reconhecer quando o adversário tem razão e, depois de conhecer melhor o movimento Reconquista, percebi que estes jovens estão a tentar resolver problemas que a esquerda simplesmente abandonou.
Comecemos pela mulher tradicional...faz falta.
Eu própria tenho sentido a falta dela sobretudo à hora do jantar.
Ontem cheguei a casa às oito e ninguém tinha feito arroz.
Fiquei parada no meio da cozinha a pensar:
foi para isto que se fez o 25 de Abril?
Tenho máquina de lavar roupa, máquina de lavar loiça, robot de cozinha e aspirador que anda sozinho pela casa.
Nenhum sabe fazer arroz de tomate.
A emancipação feminina falhou.
Isto não é igualdade, é desorganização.
Também compreendo a preocupação destes jovens com a virgindade.
Durante anos achei-a absurda, mas hoje vejo que é uma questão de rastreabilidade do produto.
Compro pescada quero saber onde foi pescada, compro ovos quero saber se a galinha andou ao ar livre...
Não percebo por que motivo haveria o matrimónio de funcionar com menos informação que um iogurte.
Acho apenas que devemos aperfeiçoar o sistema.
A futura esposa apresenta certificado de virgindade. O futuro marido apresenta certificado de não ter mandado fotografias da pilinha a desconhecidas desde 2017.
É preciso haver cedências dos dois lados.
Outra coisa em que eles têm razão é no regresso aos valores antigos e apoio completamente.
Queremos o padeiro a deixar o pão à porta, o leiteiro de manhã, o médico a vir a casa, as crianças a brincar na rua.
As rendas a 30 escudos.
E sobretudo voltar ao tempo em que uma família conseguia comprar uma casa com o ordenado de uma única pessoa.
Não podemos querer apenas a parte dos valores tradicionais em que a mulher faz canja.
Temos de exigir o pacote completo.
E já agora tragam-nos a mercearia onde as nossas avós apontavam tudo num caderninho e pagavam no fim do mês.
Reconquistar é reconquistar.
Nada de escolher épocas históricas à la carte.
Também me agrada a ideia de recuperar a masculinidade tradicional.
Homens que saibam construir coisas, arranjar uma torneira, mudar um pneu, cavar a sua horta...
Tenho acompanhado a masculinidade tradicional contemporânea e parece-me que neste momento consiste apenas em gravar vídeos dentro de um carro a explicar por que razão as mulheres já não querem homens masculinos.
Pode haver aqui uma falha no conceito.
Os nossos avôs não tinham podcast, tinham uma enxada.
Por isso deixo desde já a minha candidatura à Reconquista.
Aceito regressar à cozinha, mas quero tudo como antigamente.
Eles trabalham a terra, eu faço o almoço.
Eles racham a lenha, eu trato da roupa.
Eles constroem a casa, eu faço a cama.
Eles vão para a guerra, eu fico cá.
Pensando bem, isto começa a parecer-me bastante vantajoso.
Onde é que uma pessoa se inscreve?
E tragam uma enxada...a Reconquista não se vai fazer sozinha.

Ana Catarina / Facebook

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