Levamos quase mês e meio de guerra na Ucrânia.
Depois de Mariupol, o mundo comove-se agora com Bucha. Não é para menos. As imagens são aterradoras. Tortura, violações, execuções sumárias de civis.
Os mais cínicos limitam-se a dizer: "É a guerra".
Os cínicos avençados colocam em questão a veracidade dos factos: "Não sabemos ainda quem fez isto…"
Mas sabemos. Os russos continuam a ser russos e a deixar o rasto de selvajaria típico da sua história. Há injustiça nesta afirmação? Talvez. Mas foi assim que se fez a Rússia. E ainda ontem se cumpriram 100 anos sobre a ascensão ao poder do grande pai dos povos, Iosef Stalin. Venha o diabo e veja as diferenças.
Entretanto, Viktor Orban ganhou as eleições na Hungria e Aleksander Vucic venceu na Sérvia. Aliados de Putin.
A China diz "nim" e a Índia logo se vê.
A Alemanha não consegue renunciar ao gás russo e o seu antigo Chanceler, Gerhard Shröder, continua íntimo do "czar".
A América latina divide-se e a África obedece a quem lhe paga as contas.
Enquanto o sangue corre, a ONU definha. Sem decisões, sem intervenção que se veja e com Putin a marcar reuniões do Conselho de Segurança (hoje mesmo), de que ainda faz parte, com direito de veto...
Nesta parte do mundo a que chamamos Ocidente estamos (quase) todos com a Ucrânia. Mas a verdade é que o "Ocidente" está a deixar de ser o centro. E esta guerra está a ser o gatilho acelerador da reorganização mundial.
No meio do caos e da incerteza há sempre rostos que personalizam a esperança. Já ninguém chama "palhaço" a Zelensky.
Manuel Vieira | Facebook | 05ABRIL2022