Ventura anunciou que o grande objetivo do Chega é chegar ao Governo. Que novidade! Depois de tantos anos a apontar o dedo a toda a gente, descobriu que também quer ficar com o comando.
A ambição é legítima. O problema é confundir vontade de poder com capacidade para governar. Desde 2019 à frente do partido, sucessivamente reeleito com mais de 90% dos votos, Ventura apresenta-se como defensor da democracia e da liberdade. Uma liderança tão concentrada numa só figura que quase parece haver um partido inteiro à espera de autorização para respirar.
No seu discurso cabem aplausos à intervenção policial no Rossio, ataques recorrentes a imigrantes e à comunidade cigana e uma retórica que precisa constantemente de encontrar novos culpados para os problemas do país. E, pelo caminho, não faltam polémicas judiciais relacionadas com declarações consideradas difamatórias.
E agora quer governar Portugal. Mas para fazer o quê, exatamente? Continuar a transformar diferenças em ameaças, adversários em inimigos e problemas complexos em slogans? Alimentar a indignação, espalhar suspeitas e deixar que as notícias falsas façam o trabalho da argumentação?
Portugal não precisa de mais ódio, mais ruído nem de políticos que confundem popularidade com impunidade. Precisa de habitação, de um SNS funcional, de educação, de salários dignos e de respostas concretas.
Talvez um pouco de juízo fosse recomendável. Menos mentiras, menos ódio, menos notícias falsas e muito mais responsabilidade. A política não é uma competição para ver quem consegue incendiar mais depressa a sociedade.
Crónica do Quero Mandar, Portugal não precisa de um salvador que viva de fabricar inimigos. Precisa de governantes que saibam resolver problemas sem criar outros pelo caminho.
David Ferreira / Facebook