Olá, bom dia!
Nestes tempos mais recentes, tenho voltado a ver aquilo que pensei ser já uma imagem do passado, apagada para sempre: barracas a servirem de casas para pessoas que trabalham.
Barracas, tendas, e, nos casos de gente um pouco mais sortuda, autocaravanas ou casas pré-fabricadas.
O “flagelo das barracas”, como se escrevia há 50 e poucos anos, no pós 25 de Abril de 1974, era algo de que não se falava antes da Revolução dos Cravos, embora os bairros clandestinos tivessem começado a crescer, nos anos 60 e 70, como cogumelos, à volta das grandes cidades, para abrigar uma imensa massa de trabalhadores, na sua maioria vindos do campo, das serras, do interior, nesse êxodo rural em busca do sonho de uma vida melhor.
Até no Algarve isso acontecia, nos arredores de Portimão, de Albufeira, de Quarteira, então os centros que mais gente atraíam, de Portugal e das colónias (e depois ex-colónias), para trabalhar nas obras, nas limpezas, nos hotéis.
Por isso mesmo, a seguir ao 25 de Abril, foi feito um enorme esforço, quer pelas Câmaras Municipais, quer pelas Cooperativas de Habitação (geralmente com o apoio dos Municípios), quer pelos Governos centrais, para dar casa a quem dela precisava e, assim, acabar com os bairros de barracas.
A pouco e pouco, com muito trabalho e investimento, foi isso que foi acontecendo.
Mas eis que a crise da falta de habitação regressou, em força, nos últimos anos. As razões até podem ser um pouco diferentes – têm muito a ver com a concorrência feita pelo alojamento local e pela inflação/especulação de preços, quer na compra, quer no arrendamento, provocada pelos endinheirados compradores estrangeiros.
Mas o que é facto é que há muitas famílias, sobretudo as monoparentais, que, apesar de terem emprego (às vezes mais do que um emprego…) não conseguem pagar a renda de uma casa…quanto mais garantir um empréstimo para a sua compra.
E por isso vivem amontoadas num quarto, em barracas, na rua, (des)abrigadas na Gare do Oriente ou debaixo das entradas de prédios… mas sempre na mira das autoridades, que não querem que estas misérias se mostrem assim, aos olhos de todos. Antes como agora…
Como resposta a esta imensa crise, que já é até uma crise humanitária, quem é que foram os primeiros a chegar-se à frente para a tentar resolver? As Câmaras Municipais, claro!
Abençoado Poder Local!
É sobre soluções encontradas por Municípios algarvios, no caso Loulé e Albufeira, que os meus colegas Pedro Lemos e Edgar Pires, num artigo conjunto, nos falam esta manhã, como se pode ler aqui.
Loulé e Albufeira até são Câmaras Municipais de cores políticas bem diferentes, direi mesmo opostas, mas os problemas que se vivem em ambos os concelhos são semelhantes, as preocupações das autarquias também… e as soluções têm que ser encontradas.
Foi também um tema ligado às casas, neste caso nas ilhas-barreira da Ria Formosa, que motivou uma reunião da ministra do Ambiente com autarcas e associações de Moradores. Para estes últimos, as notícias são boas, já que as casas (ainda) clandestinas vão ser legalizadas. Para o ambiente e o futuro das próprias ilhas-barreira, é que as coisas poderão não correr tão bem. Leia aqui.
Mas também há novidades sobre a recarga de areia na praia do Farol, nessas mesmas ilhas-barreira, como pode ver aqui.
Já que falamos do litoral, saiba aqui o que vai acontecer na Praia do Pinhão, em Lagos.
É também de preocupações com o Ambiente, mas de um teor diverso, que vos falamos esta manhã na nossa edição Alentejo: o futuro das florestas marinhas, essenciais para a saúde dos Oceanos (e dos seres humanos) e fundamentais para a manutenção de uma atividade muito importante, a pesca.
Por causa das ameaças que obscurecem o futuro destes ecossistemas, foi agora lançado o Manifesto de Vila Nova de Milfontes. Leia aqui para saber do que se trata.
Novidade que também nos chegou ontem: o Torreense, vencedor inesperado, mas muito merecedor, da Taça de Portugal (e eu sou sportinguista!), escolheu o Estádio Algarve como sua casa na Liga Europa.
Faço votos para que lá possa jogar muitas vezes, porque isso será sinal de uma campanha bem-sucedida na alta roda do futebol europeu.
Entretanto, enquanto a Meteorologia nos avisa para a onda de calor que aí está, o nosso habitual colunista Fernando Santos Pessoa fala-nos do tempo, não o das horas, mas o do clima.
Porque arqueologia subaquática é tema muito do meu agrado, chamo ainda a atenção para o seminário que vai acontecer em Faro, sobre riscos climáticos e ambientais para o património subaquático.
A fechar: hoje é preciso especial atenção por parte de quem vive ou trabalha junto às margens do Arade, abaixo do paredão da Barragem. Saiba aqui porquê.
Hoje de manhã, vou estar com a minha colega Mariana Carriço em mais uma sessão numa escola secundária algarvia, desta vez a João de Deus, em Faro, no âmbito do nosso projeto Geração SULi. Tem espreitado o nosso site sobre este projeto? Devia fazê-lo, porque já lá estão publicados – e mais virão – novos artigos dos alunos-jornalistas. Clique aqui para ver.
Tenha uma boa quarta-feira!
|