
Duas atrizes foram detidas no Irão por expressarem solidariedade com o movimento de protesto que decorre no país após o caso de Mahsa Amini, uma mulher de 22 anos que entrou em coma após ser detida pela "polícia da moralidade", em 13 de setembro, em Teerã e acabou por morrer.
Hengameh Ghaziani e Katayoun Riahi removeram os lenços da cabeça em público após terem sido convocadas pelos procuradores para assumir uma posição de "provocatória" nos meios de comunicação social, segundo a agência noticiosa estatal IRNA do Irão.
O governo do Irão tem sido alvo de descontentamento por parte da população por mais de dois meses de manifestações que as autoridades da República Islâmica acreditam ser fomentados pelos "inimigos ocidentais do país".
No sábado, Ghaziani publicou um vídeo no Instagram sobre a sua remoção do hijab. "Talvez este seja o meu último post", escreveu acrescentando: "A partir deste momento, aconteça o que acontecer comigo, como sempre, estou com o povo iraniano até ao meu último suspiro". Na publicação, Ghaziani aparece de frente para a câmara sem falar, vira-se, amarra o cabelo e faz um rabo de cavalo.
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Na semana passada, a atriz acusou o governo iraniano de ser "assassino de crianças" e "assassinar" mais de 50. Contudo, de acordo com os meios de comunicação estatais iranianos, Ghaziani foi detida por incitar e apoiar os "tumultos" e comunicar com os meios de comunicação da oposição.
Quanto a Riahi, atriz que participou em filmes premiados e é conhecida pelo seu trabalho de caridade, foi posteriormente presa como parte da mesma investigação. Porém, em setembro já tinha dado uma entrevista à televisão internacional Iran International, sediada em Londres, um canal de televisão desprezado pelo regime, sem usar o lenço na cabeça. Desde a morte de Amini que a atriz manifestou solidariedade com os protestos no Irão bem como oposição ao uso do hijab obrigatório.
O grupo dos Direitos Humanos do Irão diz que a repressão estatal provocou já, pelo menos, 378 mortes, entre as quais 47 crianças. As autoridades emitiram sentenças de morte a seis pessoas devido às manifestações, enquanto a Amnistia Internacional diz que pelo menos 21 pessoas foram acusadas de crimes que poderiam resultar na pena de morte.
Entre as detenções feitas como parte deste movimento encontram-se desportistas, celebridades e jornalistas.
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